Viajar sozinha no Marrocos: medos e preconceitos

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Viajar sozinha pro Marrocos pode levantar muitos medos, mas e quando que esse alerta é um preconceito? Quando a imagem do país é de perigo, sobretudo para mulheres viajando sozinhas, já entramos no país com mil alertas ligados. Viajar para Marrocos é um desses destinos. Conheça essa história e vamos repensar os nossos medos!

Marrocos | Julho 2017 – Por Eliete Both

Eu já havia mochilado sozinha por alguns países da Europa. Ano passado iria para Portugal e Espanha e resolvi incluir Marrocos no roteiro, por sempre ter morrido de vontade de conhecer.

Eu sempre tive vontade de conhecer Marrocos. Desde o momento que tomei a decisão, senti um frio na espinha por estar indo, pela primeira vez, completamente sozinha para um país muçulmano.

Diferentemente de outros lugares, resolvi conhecer o Marrocos com um passeio comprado, negociado via Facebook, com um rapaz que uma amiga havia feito o passeio e recomendou. No entanto, ela havia ido em grupo e não sabia me dizer se o tal rapaz era confiável para uma mulher sozinha.

Quando peguei meu voo em Madri rumo a Marrakesh, estava com muito medo, um princípio de dor de barriga causada pelo nervosismo, e muita determinação a não me deixar vencer pelos meus medos e/ou preconceitos.

A chegada

Cheguei em Marrakesh por volta das 23h, um rapaz que trabalhava com o que eu havia fechado o passeio me aguardava na saída para me levar ao meu Rhiad (é como eles chamam os seus hotéis típicos). Foi com receio que entrei no carro do moço, Entrei no carro dele com receio, completamente sozinha com um homem desconhecido e tarde da noite, mas fui engolindo o medo e puxando conversa com ele sobre as possibilidades do que fazer sozinha na cidade no dia seguinte. Já que meu passeio para o deserto sairia somente dali a dois dias.

O rapaz me avisou que meu Rhiad ficava no centro da Medina e que ele não conseguiria chegar até lá de carro. Isso não significou muita coisa para mim, já que até então o máximo que eu conhecia da Medina tinha se dado por meio da novela O Clone, que havia passado na Globo! Ele parou o carro em um beco, meio escuro, em uma rua de terra onde nos aguardava um homem com uma bicicleta.

O rapaz me falou que dali eu iria com aquele homem e entregou meu mochilão a ele, para que carregasse na bicicleta. Senti um fio de suor gelado percorrendo a minha espinha, naquele calor de 45 graus que fazia aquela hora da noite. O rapaz que havia me buscado no aeroporto se despediu, entrou no carro e foi embora, me deixando naquele beco mal iluminado com um homem que não falava praticamente nada de inglês.

Um sentimento gigante de abandono me invadiu. Estranho se sentir abandonada por alguém que acabou de conhecer. O rapaz começou a empurrar a bicicleta e me fez sinal para segui-lo. Fui, pensando mil coisas:

“O que eu estava fazendo da minha vida?”

“Por que havia ido para aquele lugar? Por que havia comprado um voo que chegava tarde da noite? Por que eu não tinha ouvido todos os meus amigos e insistido em ir sozinha?” Entre muitos outros questionamentos que se acumulavam e ficavam em uma espiral no meu cérebro.

O moço da bicicleta foi adentrando a Medina, que era um labirinto de ruas estreitas, cheias de becos e com pouca iluminação. Cada ruela que virávamos via alguns homens reunidos, mas nenhuma mulher. Todos falavam em árabe, rindo, com o moço que eu seguia e ele respondia, rindo, também em árabe.

Nesses momentos eu tinha certeza que eles estavam combinando de me assaltarem, ou pior, estuprarem, em algum daqueles becos. Minha cabeça estava com um zumbido dentro e eu não conseguia mais organizar meus pensamentos. Eu sequer tinha internet para conseguir comunicar a alguém minha situação.

De repente, após uns dez minutos de caminhada, o moço parou em frente a uma porta, abriu e me mandou entrar. Aquele era o meu Rhiad. Apresentou o meu quarto, me deu a senha do wi-fi, toalhas e me disse o horário do café da manhã. Quando fui tomar banho, vi que a janela do banheiro dava para o corredor, era super baixa (menos de 1,50 de altura do chão) e era aberta, tinha apenas duas grades que se cruzavam em seu vão.

Entupi o espaço aberto com uma toalha e tomei banho morrendo de medo de alguém empurrar aquela toalha e ficar me observando. Aquela noite eu quase não dormi, um medo gigantesco se apoderava do meu ser e minha cabeça era um turbilhão de pensamentos desordenados.

Deserto do Saara (arquivo pessoal Eliete Both)

No dia seguinte, quando acordei, subi para tomar o café e, ao ver a beleza do lugar, já comecei a me apaixonar por Marrakesh. Criei coragem e saí para passear pela cidade e a cada esquina que eu virava me encantava mais com o respeito, disponibilidade e simpatia das pessoas. Passeei sozinha o dia todo e não recebi espécie alguma de assédio (bom, excluindo o dos vendedores que ficam oferecendo brincos, lenços e afins a todo momento, mas sempre com bastante respeito). No outro dia parti para o deserto e tive a melhor experiência da minha vida! Mas isso já é assunto para outro post.

Minha intenção ao fazer esse relato é dizer a todas as mulheres que têm vontade de experimentar esse mundo maravilhoso: Meu recado é: Vá! Não se deixe dominar por seus medos e/ou preconceitos. O mundo é maravilhoso e ainda existem muito mais pessoas boas que ruins!

Se ficarmos em nossas casas apenas pensando no que poderia acontecer, deixaremos as melhores oportunidades de nossas vidas escaparem! Vamos desbravar este mundo, pois ele está aí para nós!


Dica do Elas 🌻

Viajar para países que não falamos a língua, não sabemos tanto da cultura, e não conhecemos ninguém antes de ir, aqui vai uma dica para você: evite chegar a noite como a Eliete. Quando chegamos de dia temos mais pessoas e estabelecimentos abertos que podem nos ajudar. Viajar pelo Marrocos pode te render boas aventuras, aprender muito com pessoas que pensam e vivem diferente de você. Se abra para conhecê-los, não leve seus pré-conceitos na bagagem e perca o medo no caminho!


Continue acompanhando a viajera Eliete!

@lyaboth – Brasileira, vivendo na Espanha. Matemática por formação, professora por vocação e mochileira por paixão. Trinta e um países visitados. 

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